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De Salvador para EUA: a startup que construiu o sistema nervoso de hospitais brasileiros e agora quer o mercado global

Foto: divulgação

O Brasil tem mais de 7 mil hospitais. A maioria deles ainda não sabe que um compressor está prestes a travar, que uma câmara de hemocomponentes saiu da faixa de temperatura ou que o respirador que a equipe está procurando está no terceiro andar desde ontem.

Esse problema tem solução tecnológica há anos. O que não tinha era uma empresa brasileira disposta a construir o hardware, o firmware, o software e a inteligência artificial necessários para resolvê-lo dentro de casa.

A DROME fez isso. Fundada em Salvador por Bruno Rabelo e Bruno Cavalcanti, engenheiros com formação em elétrica e mecatrônica, a empresa passou os últimos anos instalando sensores IoT proprietários dentro das maiores redes hospitalares privadas do Brasil. Rede D’Or, DASA, Hemobrás. Não como piloto. Como contrato. Hoje são 53 acordos ativos, mais de 3 mil pontos de monitoramento em operação e um ARR de R$ 2,2 milhões com 94% de receita recorrente.

Mas o que torna a DROME relevante para investidores não é o contrato. É o que os contratos geraram. A plataforma de inteligência artificial da DROME acumula mais de 102 milhões de leituras por mês, totalizando 1,25 bilhão de registros por ano de ambientes onde temperatura, pressão, umidade e localização de equipamentos precisam estar dentro de faixas específicas o tempo todo.

Mais do que isso: a empresa acumula mais de 122 mil justificativas de alarme escritas por especialistas clínicos, cobrindo 27% dos eventos registrados. Esse conjunto de dados rotulados é o que separa modelos preditivos que funcionam em produção de modelos que funcionam em laboratório.

Na prática, a IA da DROME antecipa falhas em equipamentos hospitalares com dias de antecedência, detecta degradação em compressores antes do travamento e gera alertas de excursão de temperatura 30 a 60 minutos antes de o evento se tornar irreversível. Para uma câmara de hemocomponentes ou uma rede de gases medicinais, essa antecedência é a diferença entre uma correção operacional e uma perda de R$ 500 mil.

O que aconteceu depois de validar tudo isso dentro de hospitais foi, segundo os fundadores, uma confirmação de hipótese. A Syngenta procurou a empresa. Depois a Coca-Cola. Depois a LATAM Airlines. Nenhum desses clientes foi captado com um pitch específico para o setor deles.

Todos chegaram porque precisavam monitorar ambientes críticos e a DROME tinha hardware, software e IA integrados em uma plataforma só. O hospital foi a prova de que o produto aguenta o pior cenário possível. O resto veio junto.

Isso é relevante para o múltiplo de valuation. Uma empresa de IoT de monitoramento ambiental negocia historicamente em torno de 1,4 vezes o ARR. Uma plataforma de IA vertical com hardware proprietário, dados proprietários e aprovação regulatória em saúde negocia entre 6 e 22 vezes o ARR em estágios comparáveis. A diferença não é de produto. É de como o mercado lê o ativo.

A DROME está posicionada como a segunda. Com um detalhe que os concorrentes americanos do segmento como Kontakt.io, Artisight e Qventus não têm: conformidade com ANVISA, operação dentro das maiores redes hospitalares privadas do Brasil e tecnologia de aprendizado federado desenvolvida em parceria com o SENAI CIMATEC que permite treinar modelos sem expor dados sensíveis de pacientes.

A C-Corp americana já existe. O domínio dromehealth.com está ativo. A rodada Seed de USD 1 milhão está em estruturação. O plano pós-captação projeta 233 contratos, ARR de R$ 9,75 milhões e 40 funcionários em 24 meses, com payback de 8 meses por contrato.

Para o ecossistema de inovação do Sul do Brasil, que convive há anos com a pergunta de como healthtechs brasileiras competem globalmente, a DROME oferece uma resposta concreta: comece no ambiente mais difícil do país, valide com os clientes mais exigentes, construa o ativo de dados que ninguém consegue replicar rapidamente e use isso como passaporte de entrada nos Estados Unidos.

O setor hospitalar brasileiro ainda está nos estágios iniciais dessa transição. Quem planta a bandeira agora com tecnologia real tende a definir a categoria. Pelo histórico da DROME até aqui, a bandeira já está sendo fincada.

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