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Novos donos nos aeroportos de Santa Catarina. E agora?

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Imagem: CCR Aeroportos

No dia 1º de setembro, os aeroportos de Navegantes e Joinville mudaram de mãos. A Motiva, antiga CCR, concluiu a venda de toda a sua plataforma aeroportuária ao grupo mexicano ASUR, o Grupo Aeroportuario del Sureste, numa operação avaliada em R$ 5,1 bilhões. Foram 20 aeroportos transferidos ao todo, 17 no Brasil e três na América Latina.

Santa Catarina passou a ter um operador aeroportuário de peso internacional.

A ASUR administra o aeroporto de Cancun, um dos destinos turísticos mais movimentados da América Latina, além de terminais em Medellín, Quito, San José e Curaçao. Com a compra da Motiva, chega a 36 aeroportos em sete países. Tem ações negociadas simultaneamente nas bolsas de Nova York e do México desde o ano 2000. Não é um fundo qualquer entrando no setor. É um dos maiores operadores aeroportuários do continente.

Por enquanto, no dia a dia, quase nada muda. As equipes foram mantidas, a estrutura operacional segue igual, e quem passa pelos terminais não deve notar diferença de imediato. A ASUR assumiu os contratos de concessão do jeito que estavam. A ANAC aprovou a transação em agosto, o que permitiu a conclusão do negócio.

A pergunta que interessa para Santa Catarina não é o que muda agora. É o que pode mudar daqui a três, cinco anos.

Navegantes chega a essa troca de mãos num momento forte. Em 2025, movimentou 2,3 milhões de passageiros, crescimento de mais de 50% desde 2022, e se firmou como o segundo aeroporto fora das capitais mais movimentado do país, atrás só de Campinas. Já havia um projeto de expansão em curso: novo terminal de passageiros com 12 mil m², três pontes de embarque e a transformação da estrutura atual num boulevard comercial. A ASUR herda esse plano. A expectativa é que mantenha o ritmo, ou acelere.

Em Joinville, as obras de ampliação já passam de 85% de conclusão, com investimento de R$ 85 milhões feito pela gestão anterior. Check-in maior, sala de embarque quase três vezes o tamanho original, pátio para o dobro de aeronaves. A ASUR não está herdando um aeroporto parado. Está herdando um aeroporto em obra.

Isso importa para o turismo e para a economia catarinense porque aeroporto não é só lugar de passagem. É a primeira impressão que o visitante tem do destino, e também a última. Não adianta o setor privado investir em hotel, gastronomia e roteiro integrado se a porta de entrada emperra o fluxo. Um grupo que toca Cancun sabe como poucos negociar com companhia aérea, puxar rota nova e transformar conectividade em resultado para o turismo da região.

Navegantes é a porta de entrada do Vale do Itajaí e do Litoral Norte. Joinville cumpre papel parecido para o Norte do estado, com forte vocação industrial. Mais rota e mais frequência de voo nessas duas praças significam mais visitante, mais executivo, mais negócio circulando por aqui.

A ASUR assumiu o controle, mas ainda não anunciou nenhum plano específico para Navegantes e Joinville. Faz sentido dar um tempo antes de cobrar. Mas o mercado catarinense vai estar de olho em cada rota nova, cada investimento anunciado, cada sinal de que o novo dono enxerga aqui o que enxergou em Cancun.

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Sócio-fundador do Villa do Vale Boutique Hotel

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