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Como essa greentech ajuda a popularizar a energia solar no Brasil

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

De acordo com dados da Aneel, entre janeiro e setembro deste ano, a energia solar cresceu 46,1%. O avanço colocou a fonte na terceira posição da matriz elétrica brasileira.

Além disso, a tecnologia já trouxe ao Brasil cerca de R$ 100 bilhões em novos investimentos, que gerou R$ 27 bilhões em arrecadação aos cofres públicos e gerou mais de 570,1 mil empregos desde 2012, conforme levantamento realizado pela Absolar. Além disso, evitou a emissão de 27,8 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade.

Não é para menos que esse é um setor em crescimento e permite que startups, como a Edmond, desenvolvam ferramentas e soluções para popularizar a energia fotovoltaica no país. Para entender mais da atuação da greentech, o Economia SC Drops conversou com Jackson Chirollo, CEO e fundador da startup. Confira abaixo:

Como a energia solar beneficia o país? Qual a capacidade e sua necessidade atualmente?

Jackson: Hoje em dia, a fonte solar é a terceira maior da matriz brasileira. No mês passado, o país atingiu a marca de 17 gigawatts (GW) de capacidade instalada em usinas solares fotovoltaicas. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar, isso representa um crescimento de 700 MW médio por mês desde fevereiro deste ano. Em relação aos benefícios, são vários e em diversos âmbitos. O mais óbvio é em relação ao meio ambiente, já que a energia solar representa uma possibilidade de nos vermos livres de matrizes energéticas baseadas em queimas de combustíveis fósseis. Porém, além disso, há outros aspectos que também são decisivos para entendermos os benefícios que a energia solar pode trazer ao Brasil. Só em 2020, quase 90 mil novos empregos foram gerados no Brasil na área de geração distribuída, ou seja, existe um mercado gigante para a inserção de novos profissionais na nova economia. Quando olhamos para o aspecto inovação, temos o exemplo dos veículos elétricos, uma tendência que vem crescendo no mundo todo e que, segundo estudos divulgados pelo Boston Consulting Group, até 2030, 10% da frota brasileira será formada por veículos elétricos. Como eles serão abastecidos? De onde virá energia renovável suficiente para atender uma demanda em massa de recargas de veículos elétricos? A energia solar fotovoltaica pela sua modularidade e rápida implementação, é a única forma de possibilitar a adoção em massa para recargas de veículos elétricos em grandes centros habitados e nas residências de proprietários de veículos elétricos.

Como são as etapas para instalar um projeto desse tipo?

Jackson: O processo começa com o levantamento orçamentário, depois avança para visita técnica, assinatura do contrato.  Na sequência, o consumidor recebe as orientações em relação ao processo de financiamento e, com a aprovação do projeto, é feita a instalação. Uma vez que os painéis estão instalados, os integradores acompanham o desempenho do projeto para ajudar, se for necessário, alguma manutenção extraordinária.

Quais as principais dificuldades para popularizar o sistema de vez no país?

Jackson: A falta de uma política pública adequada era um dos desafios nesse cenário de incerteza regulatória. Em janeiro deste ano, a sanção da Lei 14.300/22, que instituiu o marco legal da micro e minigeração de energia, deu uma renovada nos ares e trouxe otimismo para quem atua no setor. Com a lei em vigor a partir de janeiro do próximo ano, o consumidor poderá produzir a própria energia a partir de fontes renováveis, o que certamente vai beneficiar a fonte solar. Inclusive, os resultados já podem ser vistos. De acordo com o boletim mais recente da Absolar, chegamos a 18,6GW operacionais e a fonte solar vem quebrando recordes de geração desde fevereiro deste ano. Porém, mesmo com a nova lei, ainda temos um longo caminho a percorrer. Alguns pontos de mudança que considero fundamentais são: elaboração de programas municipais e estaduais de obrigatoriedade de adoção mínima de energia por geração própria por fonte de energia renovável em novas construções e empreendimentos, incentivos, fomento de cursos e treinamentos, especializações técnicas e de negócios na área de geração própria de energia em faculdades e instituições de ensino.

Por que o custo para investir em um projeto desse tipo parece alto comparado a energia elétrica? Qual o custo-benefício e retorno a médio/longo prazo? 

Jackson: Em relação ao custo-benefício, quem fizer a instalação de energia solar até 6 de janeiro do ano que vem será isento de encargos pelos próximos 23 anos. A partir dessa data, que é quando começa a valer a Lei 14.300, será cobrada uma taxa exponencial, mas que ainda não reduz o benefício financeiro em relação a outras fontes de energia. A expectativa é que o consumidor consiga economizar até 90% dos gastos com conta de luz. Importante ressaltar que, desde 2016, o valor para investimentos em energia solar reduziu 86% e a tarifa de energia subiu mais de 45%, viabilizando mais a implantação de sistemas solares fotovoltaicos e reduzindo pela metade seu payback nos últimos 6 anos. Além disso, acredito que o principal e mais divulgado benefício é, sem sombra de dúvidas, em relação ao impacto sobre o meio ambiente e a possibilidade preservá-lo para as gerações futuras, que poderão se ver livres das matrizes energéticas baseadas em queima de combustíveis fósseis e desvio de cursos de rios e lagos, que degradam o nosso ecossistema. Outro aspecto pouco comentado é em relação ao mercado do futuro. A geração distribuída de energia gerou quase 90 mil empregos no Brasil em 2020. Ou seja, estamos falando de um segmento que além de proporcionar benefícios agora, está construindo os empregos do futuro. 

Como a Edmond auxilia a expansão da energia solar fotovoltaica no país?

Jackson: Nós atuamos oferecendo soluções digitais voltadas para três frentes: suprimentos, serviços financeirosm e comercialização. A AppSolar é um software as a service whitelabel que oferece à  integradoras (empresas que empreendem no setor solar) uma série de funcionalidades para garantir eficiência no suprimento. Já por meio da vertical Bank, facilitamos digitalmente a distribuição de pagamentos via split e P2P, evitando a bitributação. Além disso, lançaremos até o final deste ano um novo financiamento para pessoa física e, no ano que vem, para pessoa jurídica, para implantação de projetos solares com prazo de até 120 meses. Com a vertical Energy queremos oferecer liberdade de escolha de fornecedor e fonte energética aos nossos clientes. É a nossa frente voltada para a gestão da transição energética, intermediação na negociação de energia e democratização do acesso à energia limpa. 

Quais os próximos passos da Edmond?

Jackson: Uma das nossas principais novidades será o lançamento do produto voltado para a vertical Energy. Estamos construindo o projeto piloto desse produto e a previsão é que ele seja lançado ao público em janeiro. Para liderar essa área, contratamos Fabrício Malagolli para atuar como Head de Transição Energética. Outro destaque é o lançamento do financiamento para PF e PJ, que será todo na estrutura tecnológica do Edmond Bank, permitindo split de pagamento para várias distribuidoras de kits fotovoltaicos e integradores. Além disso, completamos esse mês 2 anos de atuação e, com a data, nos posicionamos como um ecossistema ESG para transição energética no Brasil. Esse reposicionamento vem em um momento em que consolidamos entregas importantes, concluímos a participação no programa Ambição pelos ODS da ONU, nos tornando a única startup brasileira a já ter participado do programa, e conquistamos o selo GPTW. Passado esse momento inicial de trabalho, que é, inclusive, quando muitas startups quebram, nós não só adquirimos uma grande maturidade em governança, como temos fôlego para melhorar nossas soluções e desenvolver novos produtos.

Confira outras entrevistas do Economia SC Drops clicando aqui.

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