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SC é destaque no ranking de depositantes do INPI

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Foto: divulgação

Enquanto boa parte do ecossistema de inovação brasileiro ainda discute como transformar ideias em negócios sustentáveis, Santa Catarina já aparece entre os protagonistas nacionais da propriedade intelectual. O recém-divulgado ranking de depositantes do INPI do ano de 2025 mostra algo que deveria chamar muito mais atenção: o estado está consolidando sua presença na economia dos ativos intangíveis.

Todos os anos, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial publica o ranking dos maiores depositantes de ativos de propriedade intelectual do país — incluindo patentes, marcas, desenhos industriais e programas de computador. Na prática, o levantamento funciona como um “termômetro” da inovação brasileira. Quem deposita mais tende a estar investindo mais em tecnologia, diferenciação, branding e geração de valor de longo prazo.

E Santa Catarina apareceu muito bem na fotografia.

A Universidade Federal de Santa Catarina, a UFSC, surgiu entre os principais depositantes de patentes de invenção do país e também em programas de computador. Não é apenas um dado acadêmico: é a demonstração concreta de que pesquisa científica pode — e deve — gerar ativos econômicos protegidos.

Outro destaque foi a WEG, que mais uma vez apareceu entre os maiores depositantes de patentes do Brasil. A empresa de Jaraguá do Sul já é um exemplo clássico de como propriedade intelectual não é burocracia: é estratégia industrial. Patente, nesse contexto, significa proteção tecnológica, vantagem competitiva e fortalecimento global da marca brasileira.

No campo das marcas, Santa Catarina também mostrou força. A Beto Carrero World apareceu entre os maiores depositantes do país, evidenciando algo que muitas empresas ainda ignoram: marca é ativo econômico. Em setores altamente emocionais e experienciais, como entretenimento e turismo, proteger a identidade da empresa é proteger valor de mercado.

Outro nome que chama atenção é o de Jader Almeida, referência internacional do design brasileiro e presença recorrente em depósitos relacionados a desenho industrial. Isso reforça um ponto importante: inovação não está apenas em laboratórios de tecnologia. Ela também está no design, na estética, na experiência e na criatividade aplicada.

O ranking do INPI revela algo maior do que números. Ele mostra uma mudança estrutural na economia. Durante décadas, o valor das empresas estava concentrado em ativos físicos: máquinas, imóveis, estoques. Hoje, as empresas mais valiosas do mundo concentram riqueza em ativos intangíveis: software, marca, tecnologia, design, dados, algoritmos e propriedade intelectual.

Segundo dados recentes da WIPO, os ativos intangíveis já representam cerca de US$ 100 trilhões na economia global. E isso muda completamente a lógica de geração de valor.

Uma startup pode ter poucos computadores, uma equipe enxuta e nenhum galpão industrial — mas possuir uma tecnologia patenteável, uma marca forte e um software exclusivo capaz de atrair milhões em investimento. É exatamente por isso que propriedade intelectual deixou de ser apenas tema jurídico. Hoje, ela impacta valuation, captação de investimento, internacionalização e operações de M&A.

Na prática, quando uma startup registra sua marca, protege seu software ou desenvolve uma patente, ela está construindo barreiras competitivas. Está transformando conhecimento em exclusividade. E exclusividade é uma das palavras favoritas do mercado de investimentos. Dizer para um investidor que determinada solução é “única” é interessante. Mas provar que ela possui proteção jurídica e exclusividade exploratória por anos é algo completamente diferente.

Santa Catarina parece ter entendido isso antes de muitos outros estados. O ecossistema catarinense já é reconhecido pela força das startups, pela densidade tecnológica e pela capacidade de internacionalização. Agora, os números do INPI mostram que o estado também está aprendendo a proteger aquilo que cria.

E essa talvez seja uma das discussões mais importantes da nova economia: não basta inovar. É preciso transformar inovação em ativo. Porque no século XXI, as empresas mais valiosas nem sempre serão aquelas que possuem mais fábricas. Serão aquelas que possuem as melhores ideias — e sabem protegê-las.

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Fundadora da Leila Violin PI, mestre em engenharia e gestão do conhecimento e habilitada pelo INPI como agente da propriedade industrial.

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