Um trio de pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) sairá de Fortaleza, capital do Ceará, em direção à Gana, no continente africano, a bordo de um navio para investigar as profundezas do Oceano Atlântico.
O grupo integra a expedição internacional “The Gap”, iniciativa realizada em parceria com a organização filantrópica Schmidt Ocean Institute, que tem sede no Estados Unidos. A viagem tem duração de 42 dias e ocorre entre 15 de setembro e 29 de outubro.
O mestre em Oceanografia Biológica, doutor em Biologia e professor da Escola Politécnica da instituição, Angel Perez, atuará como cientista-chefe da expedição, formada por 25 pesquisadores de cinco países.
Os oceanógrafos e técnicos de laboratório da Univali, Lucas Gavazzoni e Flávia Masumoto, completam o time de pesquisadores representantes da instituição catarinense.
Durante a incursão, Lucas fará a coleta de dados para a tese de doutorado que realiza no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA) na Universidade.
O que será explorado?
A expedição tem como foco a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente mil quilômetros de extensão, composta por uma sequência de montanhas e vales. Situada no oceano Atlântico, ao longo da linha do Equador, a área está localizada a meio caminho entre a costa nordeste do Brasil e oeste do continente africano.
Segundo o professor, as profundezas desta região ainda não foram estudadas com apoio de tecnologias modernas. Sendo assim, a expedição ajudará a levantar evidências científicas concretas que ajudarão a ampliar, significativamente, o conhecimento que se tem sobre a área.
O objetivo da incursão é fazer um mapeamento em alta resolução, permitindo realizar estudo da coluna de água e a observação de fundo do oceano, seus habitats e suas biodiversidade. Para isso, os cientistas vão usar o SuBastian, um robô operado remotamente (ROV), capaz de mergulhar até 4,5 mil metros de profundidade.
O equipamento, considerado de alta performance, será responsável por coletar amostras submarinas que servirão de subsídio para estudos futuros. Todos os dados, informações, imagens e amostras, coletadas durante a expedição, serão disponibilizados ao público.
“Esta área que vamos investigar está sob a influência de uma zona de alta produtividade em superfície. Acredita-se que, essa característica, chegue ao fundo sustentando importantes comunidades que, por sua vez, possam demandar ações de conservação no alto-mar. Para isso, precisamos apresentar evidências científicas concretas.”, justifica.
Um dos pontos altos da expedição será a transmissão, em tempo real, dos mergulhos executados pelo robô SuBastian. As atividades serão realizadas com narração em português e inglês e exibidas em alta definição. Estas incursões terão duração de cerca de oito horas e poderão ser acompanhadas, por qualquer pessoa, no canal oficial da Schmidt Ocean Institute no Youtube.