A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas avançou rapidamente e começa a produzir um efeito que vai além da automação de tarefas.
À medida que sistemas assumem parte do trabalho previsível, cresce a importância justamente daquilo que a tecnologia ainda não resolve sozinha: decidir diante de cenários ambíguos, liderar pessoas, negociar, criar, estabelecer confiança e lidar com situações que exigem julgamento.
O resultado é uma equação nova para as empresas. Há mais tecnologia disponível e, ao mesmo tempo, maior exigência sobre as capacidades humanas que sustentam a operação.
“Quando a IA assume parte do trabalho previsível, ela não elimina a complexidade. Em muitos casos, ela desloca essa complexidade para as pessoas: para quem precisa tomar decisões, liderar, adaptar o time e responder pelo resultado. A questão passa a ser menos quanto a tecnologia consegue fazer e mais se as equipes estão preparadas para lidar com o que continua dependendo delas”, afirma Rodrigo Roncaglio, fundador e CEO do Guia da Alma.
Para o Guia da Alma, empresa catarinense que atua há 10 anos com saúde mental corporativa, essa mudança altera também a forma de pensar produtividade. A condição das equipes deixa de ser apenas uma questão de clima ou bem-estar e passa a fazer parte da capacidade de uma empresa sustentar sua performance.
O argumento de negócio
Em uma PME, perder uma liderança-chave, aumentar o turnover ou reduzir a capacidade de execução não é apenas um problema de pessoas. É um problema operacional e financeiro.
A companhia trabalha com o conceito de alta performance sustentável. A lógica é que o desempenho de uma empresa não deve ser medido apenas pelo pico de entrega, mas pela capacidade de manter consistência ao longo do tempo.
Durante décadas, alta performance esteve associada à capacidade de suportar mais pressão, trabalhar mais horas e acelerar continuamente. Para Roncaglio, o desafio agora é construir outro entendimento de performance.
“Alta performance não é conseguir extrair o máximo de uma equipe durante um período curto. É criar as condições para que as pessoas consigam entregar bem de forma consistente. Para um empresário, isso aparece em coisas muito concretas: decisões melhores, lideranças mais preparadas, retenção de profissionais-chave e uma operação que consegue crescer sem depender permanentemente do desgaste das pessoas”, complementa.
Na prática, o argumento aparece em indicadores que já estão no radar dos gestores: retenção, consistência de entrega, produtividade, liderança e qualidade das decisões tomadas sob pressão.
A discussão ganha relevância principalmente em empresas em crescimento, nas quais poucas pessoas-chave concentram conhecimento, responsabilidade e capacidade de decisão. Nesses ambientes, uma liderança sobrecarregada ou a perda de profissionais importantes pode afetar diretamente a operação.
Adesão: o problema silencioso
Existe ainda uma questão mais específica no mercado de saúde mental corporativa: disponibilizar uma solução não significa necessariamente gerar impacto.
O problema, segundo o Guia da Alma, está na diferença entre oferecer acesso e fazer com que a solução seja incorporada à rotina das equipes. É possível contratar um programa, comunicá-lo aos colaboradores e, ainda assim, ter baixa utilização.
“A adesão é uma parte importante da equação porque uma solução só consegue gerar impacto quando as pessoas realmente a utilizam. Não basta a empresa contratar e disponibilizar o acesso. É preciso construir uma jornada que faça sentido para as equipes e que transforme a saúde mental em algo presente na rotina”, ressalta.
Na prática, a empresa desenvolveu um modelo que combina atendimento, tecnologia e estratégias de engajamento, partindo da premissa de que disponibilizar acesso à saúde mental não basta se as equipes não utilizarem a solução.
Dez anos e uma nova fase
Fundado em Florianópolis, completa 10 anos em 2026. A empresa apresenta uma nova identidade de marca e passa a se definir como uma solução integrada de saúde mental para equipes de alta performance.
A mudança não representa uma saída da categoria de saúde mental. O movimento é reposicionar o tema dentro da estratégia das empresas, conectando saúde mental a performance, liderança, retenção e crescimento.
A empresa combina profissionais especializados, inteligência artificial e estratégias de engajamento e um ecossistema de parceiros para transformar saúde mental em adesão e impacto real dentro das empresas.
Hoje, atende mais de 500 PMEs, ultrapassou 100 mil vidas atendidas. A empresa também destaca mais de 50 mil avaliações cinco estrelas e uma rede própria de mais de 300 terapeutas.
“A nova marca representa uma clareza maior sobre o que construímos nesses 10 anos e sobre o papel que queremos ocupar daqui para frente. Continuamos falando de saúde mental, mas entendemos cada vez mais que ela precisa estar conectada à forma como as empresas constroem equipes, tomam decisões e sustentam seu crescimento”, explica.
A troca acontece no Startup Summit, onde participa como patrocinadora ouro. A escolha do evento acompanha a própria tese da empresa: em um ambiente marcado por tecnologia, inovação e velocidade, a capacidade de construir equipes fortes passa a ser parte importante da estratégia de crescimento.
“Quanto mais tecnológico o mundo se torna, mais humano passa a ser o diferencial competitivo. A tecnologia pode acelerar processos e ampliar capacidades, mas são as pessoas que continuam tomando decisões, construindo relações e conduzindo os negócios”, conclui.