O Startup Summit terminou na sexta-feira, 28 de agosto, com mais de 11 mil participantes, 3 mil startups, 150 fundos de investimento e uma expectativa de R$ 395,5 milhões em negócios, segundo dados preliminares da organização. Pela primeira vez, a comunidade de participantes do evento foi gerida por uma empresa de gestão de comunidades: a Ousaria Negócios, que trouxe para Santa Catarina o mesmo método que aplica em redes e comunidades em outros sete estados.
O trabalho começou semanas antes da abertura. Desde agosto, quem tinha credencial passou a receber a programação comentada, avisos e um espaço de conversa com outros inscritos, e o grupo segue ativo em setembro para que as conexões feitas no evento tenham tempo de se desdobrar. Em paralelo, a Ousaria estruturou uma comunidade de embaixadores formada por gestores do Sebrae SC, que ajudaram a mobilizar empreendedores e parceiros de todo o estado, e preparou empreendedoras egressas do programa WIT para chegarem ao Summit com uma agenda de negócios já desenhada.
“Um evento com 11 mil pessoas só vira oportunidade quando os participantes param de ser plateia e passam a se reconhecer como rede. Foi isso que a gente buscou fazer com a comunidade: ajudar cada pessoa a chegar sabendo o que queria ver e com quem queria falar, e garantir que a conversa continuasse mesmo após o encerramento do evento. É o que fazemos o ano inteiro em Mato Grosso do Sul, na Bahia, no Tocantins. Fazer isso em casa, no maior evento do ecossistema, foi a prova de que o método funciona em contextos de maior escala”, afirma Maíra Machado Rodrigues, cofundadora e diretora de expansão da Ousaria.
Centenas de visitas ao estande e +300 pessoas nos Meet up Points.
Nos três dias de evento, o estande da Ousaria recebeu centenas de visitantes, entre gestores públicos, representantes de institutos e fundações, fundadores de startups e empreendedores. O espaço funcionou como ponto de diagnóstico: quem passava por lá conversava sobre o estágio das próprias comunidades e saía com uma leitura do que poderia avançar.
Ao lado do estande, a empresa operou um espaço de meetup points do Startup Summit com 12 rodadas de conversa de 35 minutos, com temas como deeptech, fintech e investimento, mulheres na tecnologia, healthtech, govtech, startups de impacto, marketing, IA e vendas. Cada conexão feita nas mesas foi registrada por QR code: ao todo +300 pessoas passaram pelos meetup points ao longo dos 3 dias.
“Achei uma ótima iniciativa. O principal objetivo desse tipo de evento é gerar conexões, mas em muitos eventos as pessoas circulam sem ter um canal para abordar alguém. Esse espaço (Meetup Points) me deu a liberdade de abordar e ser abordado, que é o que todo empreendedor busca num evento de tecnologia. Fora dele já é mais complicado. Adorei a iniciativa”, diz Bruno Bianchi, CEO da Webox.AI.
Fundadoras na programação oficial
As duas fundadoras também participaram da programação oficial. No dia 26, Camila Bardini conduziu a mentoria “Identificando e se adaptando às mudanças de mercado com inovação”, partindo da trajetória da própria empresa, que saiu de Santa Catarina para outros sete estados em quatro anos. No dia 28, Maíra Machado Rodrigues integrou o painel “Mulheres na Tecnologia: O que você precisou desaprender para continuar crescendo?”, ao lado de Manuela de Assis e Samia Hecktheuer no palco do Sebrae Delas. Antes do evento, dentro da Startup Summit Week, a Ousaria já havia realizado com a RTK Mentoria Estratégica o webinar “Como gerar demanda e ROI do evento”.
“O que a gente viu no Summit confirma uma leitura que fazemos há tempo: o ecossistema precisa de continuidade. Quem passou pelo nosso estande queria saber como fazer a comunidade ou o programa continuar vivo depois que o edital acaba ou o encontro termina. Inovar, para nós, é responder a isso com método e com tecnologia embarcada”, diz Camila Bardini, cofundadora da Ousaria.
Ousaria a Bordo: 36 lideranças de 14 estados em um catamarã
A agenda incluiu ainda um encontro fechado, fora do CentroSul. Na manhã do dia 27, a Ousaria promoveu o Ousaria a Bordo, a bordo de um catamarã em Florianópolis, para um grupo restrito de dirigentes e gestores do Sistema S, de institutos, fundações e organizações que atuam com programas de empreendedorismo. Foram 36 lideranças de 14 estados, distribuídas em oito mesas de trabalho, cada uma dedicada a um tema central da gestão de redes e comunidades.
O encontro marcou o lançamento da Âncora, comunidade exclusiva para quem lidera redes. O que saiu das mesas foi consolidado pela Ousaria em um report com uma leitura inédita da maturidade das redes do ecossistema brasileiro, primeira entrega da nova comunidade aos seus integrantes, que também recebem o Termômetro de Comunidade, ferramenta que situa a própria rede em quatro frentes, e uma leitura do resultado com um especialista da empresa.
“Na nossa mesa reunimos representantes de seis estados — Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Pernambuco e Goiás —, além de representantes da FAP, do Sebrae e de ambientes promotores de inovação como o Porto Digital. Percebemos muita coisa em comum entre os ecossistemas, mas também boas práticas para compartilhar, como os exemplos de Tocantins e do Mato Grosso do Sul sobre interiorização da inovação dentro das comunidades. Um desafio comum foi descer do estratégico para o executivo — tirar do papel tudo que é planejado para a inovação”, complementa Isabella Calmon, Gerente de Inovação e Mercado do Sebrae ES.
Sobre a Ousaria Negócios
Empresa catarinense de impacto fundada por Camila M. Bardini e Maíra Machado Rodrigues em 2022. Desenvolve empreendedores e negócios por meio de programas estruturados e gestão de comunidades como infraestruturas vivas. Atua em diversos estados em parceria com Sistema S, instituições públicas, institutos e organizações da sociedade civil. Mais de 2 mil pessoas já foram acompanhadas em comunidades geridas pela Ousaria e mais de 500 passaram por programas de desenvolvimento empreendedor.