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Importações mexicanas crescem 156% e Portonave passa a exportar carne bovina para o país

A câmara frigorífica do terminal portuário de Navegantes (SC) renovou a habilitação para armazenar e expedir proteína animal destinada ao México, com validade até 2028. A Iceport, estrutura da Portonave, incluiu na renovação a carne bovina — novidade que amplia as alternativas disponíveis para os exportadores atendidos pelo terminal.

O México é o segundo maior destino das exportações de carne bovina do Brasil e o comprador que mais cresce. Em 2025, o país importou 118 mil toneladas da proteína brasileira — alta de 156% em volume em relação ao ano anterior —, gerando receita de US$ 645,4 milhões, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

Exportações brasileiras em ritmo de recorde

No acumulado de janeiro a julho de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina somaram 1,97 milhão de toneladas, crescimento de 9,9% e receita recorde de US$ 11,4 bilhões. O cenário reforça a importância estratégica de habilitações que permitam às empresas operar com agilidade nos mercados de maior demanda.

Aval de dois governos para a renovação

A renovação exige aprovação de autoridades dos dois países. O Senasica, Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar do México, realiza auditorias presenciais nos estabelecimentos interessados. Após a aprovação, o órgão comunica o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), que registra a habilitação no Sigsif (Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal). Nessas missões, as autoridades estrangeiras avaliam também os procedimentos do próprio Mapa, validando a confiabilidade do sistema de inspeção brasileiro.

A empresa não precisou de adaptações relevantes para a renovação. O desafio foi demonstrar a conformidade dos controles já existentes de armazenagem, rastreabilidade e gestão sanitária. Essa maturidade tem reconhecimento internacional: a Iceport foi a unidade modelo durante a missão do Reino Unido relacionada ao Brexit.

Portfólio de destinos e operações especiais

A busca por novas habilitações e aberturas de mercado é permanente na estratégia do terminal. Além do México, a câmara está habilitada para destinos como África do Sul, Argentina, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Estados Unidos, União Euroasiática, Hong Kong, Israel, Japão, Paraguai, Reino Unido, União Europeia e Uruguai.

A estrutura também opera com medicamentos — em espaço projetado exclusivamente para esse fim — e com produtos Halal, em conformidade com os preceitos islâmicos.

Crescimento operacional em 2025 e 2026

Em 2025, a Iceport movimentou 284,7 mil toneladas de produtos com temperatura controlada, alta de 12% sobre o ano anterior. Os frangos lideraram a movimentação, com 60% do total, seguidos por vegetais (25%), carnes bovinas (8%) e suínos (7%).

O ritmo se mantém em 2026: no primeiro semestre, foram 145,7 mil toneladas movimentadas, crescimento de 12% sobre o mesmo período do ano anterior.

Única câmara frigorífica instalada em um terminal portuário no Brasil, a estrutura conta com 50 mil m² de área construída, 16 mil posições de pallets, 13 docas e sistema de armazenagem automatizado com capacidade de 280 movimentos por hora. A certificação FSSC 22000, reconhecida pela GFSI (Global Food Safety Initiative), atesta os padrões internacionais de segurança de alimentos da operação.

As carnes congeladas e derivados responderam por 42% do volume exportado pela Portonave em 2025, reforçando o papel de Santa Catarina como plataforma nacional de exportação de proteína animal.

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