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Consumir conteúdo já não basta para o profissional de marketing

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Foto; divulgação

Durante muito tempo, bastava fazer um bom curso, assistir a uma palestra relevante ou participar de um grande evento para sentir que a carreira estava avançando. O acesso ao conhecimento era mais restrito e, quando aparecia uma boa oportunidade, ela costumava gerar repertório suficiente para os próximos meses.

Hoje, o cenário é outro. O profissional de marketing nunca teve tanta oferta de cursos, eventos e conteúdos. Ainda assim, a sensação é que consumir informação sozinho deixou de ser suficiente. O que também acelera a evolução passou a ser outra coisa: testar ideias, trocar experiências e colocar o próprio raciocínio à prova ao lado de quem vive desafios parecidos.

Foi essa mudança que conduziu a minha conversa com Luana Mira, gerente de marketing e parcerias na Global e presidente do Núcleo de Marketing da ACIJ.

O núcleo que ela preside reúne cerca de 60 empresas associadas, com média de 45 a 50 profissionais por encontro. Nos últimos anos, ela percebeu uma mudança clara no perfil de quem participa. Se antes a expectativa era assistir a uma palestra e voltar para a empresa com algumas anotações, hoje o interesse está em participar, discutir casos reais, visitar empresas e construir soluções em conjunto.

“Palestra e painel vão continuar existindo. Mas queremos experiência nova, gente parando pra discutir um assunto cocriado e saindo dali com resposta e com vivência. Networking importa, mas desenvolvimento é o carro-chefe”, explica.

Quem visita outra empresa compara processos. Quem participa de um workshop leva desafios para a mesa. Quem constrói soluções em grupo sai com um repertório diferente daquele com que entrou. O protagonismo deixa de estar apenas em quem sobe ao palco e passa para quem participa da construção.

“O próprio mercado obriga a gente a evoluir. O tempo todo surgem novidades para absorver. Os profissionais têm desejo de conhecimento e percebo que os mais experientes também estão ampliando o olhar. Antes, muitas conversas ficavam concentradas apenas em performance. Hoje, surgem demandas por automação, benchmarking e outros temas ligados à gestão e à evolução da área”, conta.

Essa mudança de postura aparece também na relação com a inteligência artificial. “Uso IA para fazer texto, mas a pergunta é como evoluir além disso. Ainda tem muita gente presa só na produção de conteúdo, quando a ferramenta pode apoiar planejamento, operação e várias outras etapas do trabalho. Com isso, ganha espaço novamente o profissional generalista, que consegue integrar essas diferentes frentes e conduzir a operação de forma mais estratégica.”, observa.

Para ela, essa evolução também aparece na forma como as discussões acontecem. As perguntas deixam de ser apenas sobre execução e passam a abordar processos, indicadores e decisões de negócio, refletindo os diferentes momentos de maturidade das empresas.

“Cuidar da carreira também passa pela iniciativa de cada profissional. A empresa pode oferecer oportunidades, mas buscar aprendizado, construir relacionamento e comunicar o valor do próprio trabalho faz diferença. Muitas vezes, quem consegue mostrar bem o impacto do que entrega acaba criando mais oportunidades de crescimento”, complementa.

Nunca tivemos tanto acesso à informação. Ainda assim, a evolução profissional deixou de acompanhar apenas a quantidade de conteúdo consumido. Ela passa cada vez mais pela qualidade das trocas, pela disposição em compartilhar aprendizados e pela construção de um repertório que beneficia quem está ao redor. Talvez estejamos entrando em uma fase em que aprender continua importante, mas contribuir com a evolução de outros profissionais passa a ter o mesmo peso. 

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Fundador e diretor executivo da Mega Experiência.

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